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13.08.12  |  15h18   

Zero Hora: Em busca do sinal perdido

Os gaúchos enfrentam dificuldades para conseguir falar ao telefone celular por falta de sinal adequado. A explicação vem em números. Nos últimos quatro anos, os chips de celular saltaram de 9,7 milhões para 14,5 milhões no Estado, enquanto as antenas (ERBs), indispensáveis para garantir a comunicação, aumentaram apenas 21,1%. 

O jornal Zero Hora publicou na edição deste domingo (12) uma reportagem especial, assinada pelo repórter Carlos Etchichury, que aponta os principais problemas enfrentados pelos usuários de telefonia móvel no RS.

A matéria confirma o que a OAB/RS afirma ao longo dos últimos meses: falta investimento por parte da telefônicas, para que os consumidores tenham uma prestação de serviços à altura dos altos preços pagos pelo serviço.

Confira:

ALÔ, ALÔ, RESPONDE

Os gaúchos enfrentam dificuldades para conseguir falar ao telefone celular por falta de sinal adequado. A explicação vem em números. Nos últimos quatro anos, os chips de celular saltaram de 9,7 milhões para 14,5 milhões no Estado, enquanto as antenas (ERBs), indispensáveis para garantir a comunicação, aumentaram apenas 21,1%.

O investimento insuficiente em infraestrutura é um dos responsáveis pelo serviço deficitário oferecido pelas operadoras de telefonia móvel no Rio Grande do Sul. Nos últimos quatro anos, quando os chips de celular saltaram de 9,7 milhões para 14,5 milhões (49,6%) no Estado, as ERBs como são chamadas as antenas, indispensáveis para garantir a comunicação aumentaram apenas 21,1%.

É impossível melhorar o serviço sem aumentar o número de antenas, como reconhece o próprio Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil).

Mas deve-se levar em consideração também o fluxo de dados (uso que os consumidores fazem dos seus aparelhos) e conexão das antenas, com cabos, às centrais das operadoras. As empresas e a Anatel, porém, não fornecem essas informações.

O que se pode afirmar, sem margem de erro, é que o investimento não acompanhou a formidável expansão dos serviços. Na última década, o faturamento das operadoras cresceu 237% ante ao incremento de 67% em infraestrutura.

– Há um descompasso entre o crescimento do mercado e os investimentos em infraestrutura – constata João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da IDC.

O boom do celular no Rio Grande do Sul estabeleceu a seguinte relação de usuários versus antenas: uma ERB para cada 3.454 assinantes. O que isso significa?

– É como uma avenida superlotada de carros. Chega um determinado momento que ninguém anda – diz o professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Claudio Fernández, doutorando em Engenharia Elétrica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De acordo com o pesquisador, as antenas funcionam como células, que permitem a conexão entre um e outro aparelho. Quando a capacidade de uma ERB está esgotada, o sinal é lançado para a mais próxima, até que a ligação seja completada.

– Quando o usuário encontra todos os canais da antena mais próxima ocupados, seu celular pode tentar comunicar através de uma mais distante, no limite do alcance, o que pode provocar queda da comunicação – complementa Fernández.

Mesmo sem todos os dados disponíveis, a comparação com os EUA – citado pela União Internacional de Telecomunicações como uma referência – ajuda a compreender a defasagem do número de ERBs no Estado. Enquanto os norte-americanos têm uma antena para cada mil usuários, no Estado essa relação, que em 2008 era de 2.797 assinantes por antena, hoje é de 3.454.

Como a proporção antenas versus assinantes no país é dramática, o Rio Grande, mesmo tendo três vezes mais usuários por ERBs que os EUA, é o Estado em melhor situação. Na Bahia, por exemplo, há 6.786 aparelhos por antena.

A inoperância se agravou de tal forma que, há 20 dias, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) entregou ao Procon, em Porto Alegre, relatório com cerca de 500 formulários, a maioria de advogados, contrariados com operadoras. Eles relatam situações constrangedoras. Uns precisam sair de casa para conversar, outros sobem em escrivaninha para efetuar ligações. Tem clientes que são privados de sinal ao entardecer, como se as ondas eletromagnéticas desaparecessem com o pôr do sol. Entre as reclamações mais comuns estão interrupções intempestivas de conversas, seguidas de duas, três, quatro chamadas, até que o sinal fique forte o suficiente para permitir um desfecho ao diálogo iniciado. Diante da enxurrada de críticas, o Procon suspendeu a venda de chips em Porto Alegre e firmou um acordo com as operadoras.

Presidente do SindiTelebrasil, Eduardo Levy relativiza o número de usuários por antena. De acordo com o executivo, países como EUA e Espanha têm um elevado índice de antenas porque contam com os aparelhos às margens das rodovias e em áreas rurais, o que não ocorre no Brasil.

ISOLAMENTO FORÇADO

O sossego que o empresário Rogério Donelli busca em sua casa na zona sul de Porto Alegre veio acompanhado de um isolamento forçado. O morador do bairro Ponta Grossa tem dificuldade para captar o sinal de todas as operadoras de telefonia móvel e precisa fazer malabarismo para conseguir se comunicar.

– O sinal da Claro não pega. TIM é só em alguns momentos e em pontos bem específicos. Da Vivo tenho dois chips. Um com prefixo 51 e outro com 54, porque tenho negócios na Serra. Curiosamente, só o 54 dá sinal. 3G então, nem existe – relata.

A filha dele, a advogada Débora Donelli, conta que quando precisa se comunicar com o pai, usa a internet.

– Se visito meu pai e preciso ligar para alguém, tenho de ficar parada ao lado do microondas, sem me mexer, senão cai a ligação – revela Débora.

O silêncio forçado na casa de Rogério tem explicação. O número de antenas diminui à medida que o usuário se desloca para a zona sul da cidade. Cobrindo a Ponta Grossa são apenas duas. Nos mapas divulgados pelas operadoras que mostram a cobertura da cidade, há vários pontos de sombra, fazendo com que o sinal seja fraco em uma quadra e inexistente na seguinte.

A relação de telefones por antenas é desconhecida em Porto Alegre. Sabe-se que na área 51 (abrange locais populosos como Região Metropolitana, Litoral Norte, Vale do Sinos) há uma antena para 3.775 linhas.

Para justificar a inoperância, Eduardo Levy, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal, que representa as operadoras, dias atrás, culpou a legislação:

– Nós temos os pedidos, os recursos e a mão de obra para dar mais infraestrutura de telefonia. Não há como melhorar o serviço sem aumentar o número de antenas.

O leitor sabe quantas ERBs estão em análise na Secretaria Municipal do Meio Ambiente para instalação? 31. Exato. Apenas três dezenas aguardam pela liberação da prefeitura. Para que chegue a padrões norte-americanos, a estimava é de que seja necessária a instalação de mais 1,2 mil ERBs, além das 590 em funcionamento.

ANTENAS SÃO SUPERESTIMADAS

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão que regra o setor de telefonia no país, superestima em cerca de 20% o número de antenas em funcionamento em Porto Alegre.

Pelos dados fornecidos no site da agência, a Capital tem quase 700 estações rádio base (ERBs) instaladas. A realidade é bem menos animadora. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), que disciplina a instalação das antenas, não chega a 600 o número em operação.

Chefe da equipe de licenciamento ambiental de ERBs da Smam, o engenheiro eletrônico Antônio Aquino Pretto acredita que os critérios utilizados pela Anatel sejam diferentes.

– Uma nova ERB é primeiro protocolada na Anatel e depois, após cumprir os trâmites legais, é instalada na cidade. É possível que o número que eles apresentem seja o de pedidos na Anatel – diz Pretto.

Segundo o técnico, Porto Alegre dispõe, hoje, de cerca de 590 antenas em funcionamento.

Procurado por Zero Hora, o presidente da agência, João Batista de Resende, não soube explicar a discrepâncias entre os dados da Anatel e a realidade.

Em vez de telefone, usuário móvel

Consumidores reclamam que não conseguem fazer ligação ao entardecer, outros têm de subir ao segundo andar da residência

Natural de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, Andherson Madeira Barichello, 26 anos, busca o segundo piso da casa onde mora, no bairro Bela Vista, para falar ao celular.

– É o único lugar que tem sinal – afirma.

Em outro extremo do Estado, Geferson Ernesto Pavinatto, 38 anos, morador de Getúlio Vargas, próximo da divisa com Santa Catarina, caminha até o quintal para efetuar ligações.

– Gasto R$ 300 mensais e o telefone não pega dentro de casa – lamenta.

Ao sul de Porto Alegre, em Arroio Grande, Erica Luize Betiollo, 24 anos, luta contra o relógio:

– A partir das 17h30min, 18h, congestiona de uma forma que não dá mais para ligar.

Advogados, jovens, interioranos e bem-sucedidos, eles têm mais em comum: todos enfrentam dificuldades com telefonia móvel e protocolaram reclamações no site da Ordem dos Advogados do Brasil.

Por conta de dois problemas crônicos e, até agora, insuperáveis, Barichello define a sua relação com a operadora Vivo como "constrangedora". O mais grave é a completa inoperância do aparelho que, assegura, não efetua ou recebe chamadas no primeiro piso do imóvel onde reside com a família. Outro inconveniente são interrupções nas chamadas para celulares.

– Não sei se é a proximidade com a Argentina, mas o sinal oscila quando a gente liga para celular. Na operadora, ninguém explica o que ocorre – reclama Barichello.

Os infortúnios de Erica Luize, assinante da Oi, nascem quando o sol se põe. Ao entardecer, por motivo ainda desconhecido, ligações não se completam, torpedos demoram três, quatro horas para chegar ao destino.

– Geralmente, o problema entra madrugada adentro. Ninguém sabe o que ocorre. Tive de comprar chip de outra operadora – conta.

O litígio de Pavinatto com a TIM, no norte gaúcho, iniciou-se dois anos e meio atrás. Desde que deixou Joinville (SC) para retornar a Getúlio Vargas, sua cidade natal, o advogado convive com apagões.

– Em Santa Catarina, o sinal era ótimo. Aqui, não pega dentro de casa. É comum também a ligação cair sem motivo – detalha.

A partir da grita dos advogados gaúchos e da intervenção do Procon, em Porto Alegre, a Agência Nacional de Telecomunicações restringiu a venda de celulares no país e exigiu medidas das operadoras.
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